Capítulo 1: Prólogo

[Tradutora - Clara]

[Revisora - Gun]

Capítulo 1: Prólogo

Era um contraste gritante com o céu noturno azul-marinho repleto de estrelas.

Uma montanha de cadáveres e um mar de sangue.

Não importava para onde se olhasse, a cena era um abismo carmesim.

Os cadáveres, todos trajados em vestes brancas, faziam o vermelho escuro do sangue se destacar ainda mais vividamente.

“…Responda-me.”

Um homem estava sozinho em meio ao campo de batalha, murmurando em voz baixa.

“Se houver sobreviventes, respondam.”

“Se não puderem falar, mover-se ou mesmo gemer é suficiente.”

“Por favor… Por favor, alguém, responda…”

Sua voz se esvaiu enquanto sua cabeça pendia.

Seu rosto parecia pronto para desabar em lágrimas ao menor toque.

Ele sabia.

Ele entendia.

Se alguém tivesse sobrevivido, teria sido detectado por sua magia.

‘No fim, ninguém…’

Ninguém havia sobrevivido.

Os 153 magos que confiaram suas vidas a ele escolheram voluntariamente fazer deste lugar seu túmulo.

E o que foi ganho em troca de seus futuros ilimitados, seu potencial, suas próprias vidas…

“…Foi isto.”

O homem olhou para uma cabeça decepada jogada desordenadamente a seus pés.

Este foi o resultado.

A cabeça do Grande Imperador — o primeiro a unificar as tribos demoníacas e levar a humanidade à beira da extinção.

“…É só isso.”

Ele não conseguiu se forçar a dizer o resto em voz alta.

Isso seria um insulto a todos que se sacrificaram por este resultado.

“Cof!”

O homem desabou, sangue preto jorrando de sua boca.

Ele estava se segurando remendando seu coração destruído com magia, mas até isso havia chegado ao seu limite.

Seu tempo também estava quase esgotado.

“28 de abril, 3h12 da manhã. A morte do Grande Imperador foi confirmada.”

Uma voz monótona ecoou em seus ouvidos.

O homem fracamente virou seu olhar embaçado para a fonte.

“…Edna?”

“Sim.”

Edna Sol Laplace, o último dragão neste mundo e seu observador da história, se aproximou.

Seus olhos sem emoção fixos na cabeça do Imperador enquanto ela falava.

“Tenho boas e más notícias.”

“Comece com as más notícias.”

Após uma breve hesitação, ela cautelosamente abriu a boca.

“Como previsto, os exércitos demoníacos invadiram a Torre Branca. A maioria dos magos pereceu no processo. A torre foi parcialmente destruída, e quase todos os grimórios e materiais de pesquisa foram perdidos para as chamas.”

Ao ouvir o relatório, os olhos do homem tremeram violentamente.

Ele sabia que isso aconteceria, sabia e ainda assim escolheu matar o Imperador em vez de defender a torre.

Mas ele ainda era humano, incapaz de suprimir a onda de emoções.

“…Qual é a boa notícia?”

“As forças reais chegaram mais cedo do que o esperado. Elas conseguiram resgatar alguns sobreviventes, incluindo seus discípulos.”

Com essas palavras, uma estranha sensação de alívio o invadiu.

Ele acreditava em seus discípulos, aqueles jovens gênios.

Ele tinha certeza de que eles restaurariam a Torre Branca, mesmo que caísse em ruínas.

“Cof! Cof!”

Talvez tenha sido o alívio que tornou seu fardo mais leve.

Apesar de sua morte iminente, ele sentiu uma estranha sensação de paz.

Edna, que o observava de perto, perguntou:

“Você se arrepende de sua escolha hoje?”

“…Não.”

Não — mais precisamente, ele não podia se dar ao luxo de se arrepender.

Com um sorriso amargo, o homem lançou um olhar pesaroso sobre os cadáveres ao redor.

“Cada um deles, eu selecionei pessoalmente e trouxe para cá.”

Dizer a eles que havia sido um erro, que ele se arrependia de tê-los trazido para cá — ele nunca poderia dizer tal coisa.

Isso seria uma afronta aos subordinados que confiaram suas vidas a ele.

‘Mas… dizer que não há arrependimento algum seria uma mentira.’

Naquela noite, a humanidade havia garantido um futuro, mas a Torre Branca havia perdido tudo, incluindo seu legado passado.

Mesmo sabendo que havia sido uma escolha inevitável, um arrependimento persistente o assombrava.

‘Eu posso ter sido o maior mago, mas talvez não tenha sido um grande líder.’

O pensamento lhe veio de repente.

E se ele tivesse escolhido uma vida egoísta, não como herói da humanidade, mas como alguém que só se importava com seu povo?

As coisas teriam sido diferentes?

“…Cof!”

Mas tais pensamentos sem sentido terminaram ali.

A morte estava próxima.

A lua que preenchia sua visão vacilou e se dividiu em múltiplos, sua visão final embaçando.

“Você tem alguma última palavra?”

“…Meus discípulos.”

Um sorriso fraco e amargo apareceu enquanto ele pensava em seus três discípulos resgatados.

“Cuide deles de vez em quando. Eles ainda são jovens e ficarão ansiosos.”

“…Vou verificar como estão ocasionalmente.”

Sentindo seu fim, Edna fez uma reverência profunda.

Era um gesto excessivo para um dragão, um semideus, oferecer a um humano, mas este homem havia conquistado isso.

“Esta observadora e o continente não esquecerão o nobre sacrifício dos heróis da Torre Branca.”

“Isso é óbvio… Eles não devem esquecer.”

Lentamente, seus olhos se fecharam.

Uma sonolência irresistível o envolveu como uma fera selvagem.

Nunca antes em sua vida suas pálpebras haviam parecido tão pesadas…

Tump.

“…”

Edna permaneceu em silêncio, guardando o local onde o Mago Branco havia caído por um longo tempo.

Seu registro para aquele dia foi simples.

[O Grande Imperador, falecido.]

[132 magos de 6º nível da Torre Branca, caídos em batalha.]

[19 magos de 7º nível da Torre Branca, caídos em batalha.]

[2 magos de 8º nível da Torre Branca, caídos em batalha.]

[Oscar Sage, mago de 9º nível e Mestre da Torre Branca…]

Caído em batalha.

[Tradutora - Clara]

[Revisora - Gun]

* * *

Farfalhar.

Uma brisa suave agitou levemente as cortinas.

“Ah!”

Com um grito, os olhos de Oscar se abriram de repente.

“O-o que há de errado! Eu só estava tentando trocar seu pano molhado!”

“…”

Percebendo que estava segurando o pulso do outro com força, Oscar lentamente soltou o aperto.

O homem, sacudindo o pulso dormente, resmungou.

“Eu estava aqui cuidando de você… Você tem uns hábitos de sono terríveis.”

“…Hábitos de sono?”

Murmurando baixinho, Oscar de repente se sentou ereto.

‘Eu estava dormindo? Em um estado tão indefeso?’

Não era de seu feitio cometer um erro tão primário.

Mais importante, ele não tinha morrido já?

Como prova, seu coração destruído deveria ter sido…

“…Huh?”

Tum, tum.

Estava batendo.

O coração que o Grande Imperador havia dilacerado estava, de alguma forma, intacto e batendo.

Assim que Oscar estava prestes a fazer uma pergunta para entender tudo aquilo —

Estrondo!

A porta da enfermaria se abriu com um estrondo ensurdecedor.

“Ah, você está acordado.”

Um homem na casa dos trinta, vestindo as vestes da Torre Branca, entrou.

O cuidador gemeu e se pôs em seu caminho.

“Ah, Ancião, você está aqui? Ele acabou de acordar, então talvez pudesse repreendê-lo mais tarde…?”

“Saia da frente, Fran. Desta vez, devo repreendê-lo minuciosamente.”

“Claro, concordo que ele merece. Vá em frente e repreenda-o duramente. Mas talvez dê a ele um momento primeiro…?”

Observando os dois discutirem, Oscar perguntou baixinho:

“Como estou vivo?”

“…Ha! Sim, suponho que até você acharia isso curioso.”

Zombando, o homem passou por Fran e se aproximou da cama.

Seu olhar severo fixou-se em Oscar enquanto ele perguntava:

“Você se lembra do que fez?”

“…”

O que ele havia feito…

Ele provavelmente estava falando sobre liderar os magos de elite da Torre Branca para aniquilar o Grande Imperador em uma destruição mútua.

Pelo menos seu coração parecia intacto, a julgar pela forma como latejava dolorosamente.

“Eu me lembro. Mas foi uma escolha que tive que fazer pela humanidade.”

“…O quê? Pela humanidade? Uma escolha que você teve que fazer?”

O homem soltou um bufo de descrença, seus olhos faiscando de raiva.

“O desfalque que você cometeu realmente teve uma razão tão grandiosa?”

“…Huh?”

Desfalque?

Ele nunca havia feito nada parecido…

Enquanto Oscar o olhava confuso, o homem, agora furioso, gritou:

“Que miserável patético e desgraçado! Eu poderia ter considerado alguma clemência se você tivesse demonstrado sequer um remorso genuíno!”

Com um rugido, a palma da mão do homem desceu em direção ao topo da cabeça de Oscar.

Instintivamente, Oscar lançou um feitiço.

‘Escudo de Vento.’

Uma barreira giratória de vento se formou rapidamente acima dele, rodopiando ferozmente.

No momento em que seu atacante golpeasse, o pulso do homem se dobraria como palha.

“Hmm? Isso é…”

Mas então, o homem parou a mão no ar de repente ao notar a precisão do Escudo de Vento.

Sua expressão mudou para uma de leve surpresa, e sua raiva pareceu diminuir um pouco.

“…Nada mal. Pelo menos você não tem relaxado completamente.”

Depois de lançar um olhar complicado para Oscar, o homem se virou abruptamente.

“O castigo pode esperar até que você esteja totalmente recuperado. Concentre-se em se curar por enquanto.”

Com essas palavras de despedida, o homem saiu do quarto.

Fran, o homem de cabelo azul, rapidamente se aproximou de Oscar.

“Ei, você está louco? Você sabe como o Ancião é, então por que provocá-lo?”

“…O Ancião?”

Não havia Ancião como aquele sob seu comando.

O homem deve ter sido um mago trazido de uma das filiais da Torre Branca.

Afinal, não havia um único mago na atual Torre Branca que pudesse se qualificar como Ancião…

‘Nenhum.’

A expressão de Oscar se tornou amarga, mas ele rapidamente recuperou a compostura e perguntou:

“Qual é a data de hoje?”

“21 de setembro.”

“…Eu dormi por cinco meses?”

“Do que você está falando? Faz apenas três dias.”

Três dias?

Ele havia derrotado o Grande Imperador em 28 de abril, então cinco meses deveriam ter se passado.

Oscar, intrigado pela discrepância, abriu a boca novamente.

“Chame Lloyd para mim. Se ele não estiver por perto, Gillie ou Sasha servem. Preciso ouvir o que aconteceu das crianças.”

“…O quê? Você está falando sério? Sua memória está realmente toda bagunçada, hein?”

Fran lhe lançou um olhar perplexo.

“Se não, você não estaria casualmente mencionando nomes de traidores… muito menos o Mestre da Torre.”

“Traidores?”

“Sim, traidores.”

Fran assentiu.

“Lloyd Schultz, que abandonou a Torre Branca para se tornar discípulo do Mestre da Torre Vermelha, e Gilliot Dominic, que fugiu com um grimório de alto nível.”

“…O quê?”

Lloyd?

Aquele garoto se juntou à Torre Vermelha?

E Gillie, roubando um grimório de alto nível e fugindo?

“Que tipo de bobagem é essa…?”

De todas as coisas, ele não suportaria que alguém falasse mal de seus discípulos.

Ele estava prestes a explodir de raiva quando parou de repente.

Com sua habilidade de ler o vento, ele notou como o ar ao redor de Fran estava estranhamente calmo.

‘Então… tudo o que ele está dizendo é verdade?’

Sua mente estava girando.

“Traidores? E espere… Sasha é a Mestra da Torre?”

“Ela é uma excelente, por sinal.”

“…Como uma criança de cinco anos pode se tornar a Mestra da Torre?”

“Por que você está omitindo os vinte anos anteriores?”

Vinte anos?

Então Sasha tinha vinte e cinco anos agora?

Isso significava que ele havia dormido por vinte anos?

‘…Eu pareço bem, mas meu cérebro deve estar quebrado.’

Soltando um suspiro, Oscar virou a cabeça para a janela bem polida para ver seu reflexo.

“…”

Quem… é você?

[Tradutora - Clara]

[Revisora - Gun]

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